sexta-feira, 30 de maio de 2014

Ontem

Ontem eu fui agredido, meu corpo foi marcado pelo medo, pela insegurança, pela dor... Nunca me senti tão impotente e sem voz. Ontem perdi as esperanças no amanhã, vi de perto o medo estampado em rostos, a agonia em corpos e até o que eu não queria ver. Ontem meus sonhos utópicos foram desfeitos, esmaguei meus ideais e larguei meus sonhos. Perdi o sono, a minha dignidade e o meu direito de ir e vir. Confesso que desejei ter desviado o caminho, de estar em casa mais cedo, de não estar ali. Ontem, me doeu ouvir, sentir e até mesmo respirar. Eu quis chorar, mas engoli seco, assim como a raiva que me devorou da cabeça aos pés. Eu não dormir direito, meus nervos não deixaram. Ontem eu dei minha cara a bater, depois de ter sido olhado com indiferença... Ontem eu entrei em luto. Gritei por socorro, implorei por ajuda! Ontem nem a arte me comoveu. Tudo me comoveu. Era escuro, vazio e frio aqui dentro. Nada fazia sentido. Ontem, eu não acreditei... Na verdade eu não queria acreditar, mas era a verdade. Ontem eu desejei ser abraçado, ser protegido, ser confortado. Eu desejei ter mais fé para não desistir, mas acredito que ela não será suficiente para evitar que eu recue. Ontem eu não sabia o que fazer, nem hoje e muito menos amanhã. Ontem era quinta-feira, era tarde, era noite, era mais um dia... Era... Ontem, não será apenas o passado, infelizmente o nosso 'ontem' ficará por um bom tempo no futuro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário