Apenas virei o rosto e continuei a andar.
- Ei, espera! - Gritou novamente o mesmo desconhecido.
Respirei fundo, fiz cara de insatisfeito, parei por uns segundos e andei.
- Ei, espera! Por favor! - Gritou de forma mansa e apelativa o mesmo inconveniente.
Parei, fiquei com pena
Naquela fração de segundo em que o desconhecido vinha em minha direção,
Meu peito palpitava, parecia um motor a ponto de 'trancar'
A respiração ficou ofegante.
Senti medo, a adrenalina estava a mil em minhas veias.
Pensei e repensei em todos os desconhecidos,
Nos armários acumulados,
Nas cartas e lembranças.
Era mais uma vez o mesmo desconhecido,
Aquele que eu sempre conhecia de algum lugar.
O teu leve pulsar, sentia os seus lábios no meu,
Sentia o cheiro e o gosto, se misturando no meu corpo.
Eu já conhecia aquela história.
E não queria mais uma vez reviver tanta dor.
Então, ao abrir meus olhos, eu corri.
Não mais ouvi sua voz... Ele não gritou mais.
É, quem sabe outro dia eu volte por aqui.
Aliás, eu sempre volto.
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